Acessibilidade na web, o que é?

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Pensar em acessibilidade e, principalmente, acessibilidade na web é algo que nós devemos fazer como desenvolvedores, programadores, designers ou criadores de conteúdo. Mas será que estamos pensando em acessibilidade na web, ou melhor, fazendo acontecer?

A tecnologia tem ficado como um componente importante no nosso dia a dia. Estar em um ambiente onde aprendemosensinamos e compartilhamos sobre como sermos mais inclusivos é essencial para pontuarmos ações que irão atingir um número ainda maior de pessoas no futuro.


Neste primeiro post vamos aprender o que é acessibilidade e como ela está presente no nosso dia a dia. Junto com ele, resolvi fazer um video também. Fica a seu critério assistir, ler o post, ou os dois!


O que me despertou estudar acessibilidade

Desde que comecei meu curso na universidade, Ciência da Computação, tinha em mente a pergunta: como eu poderia utilizar o meu conhecimento para ajudar as pessoas? Me graduei e minha missão foi de utilizar a computação para mudar e melhorar a vidas das pessoas. O conhecimento é algo muito poderoso que temos e que pode fazer a diferença. Por que, então, não fazê-la E isso é muito possível através da acessibilidade e, neste texto, eu vou te mostrar como!

“Senta que lá vem história…”

Durante a faculdade tive a oportunidade de me envolver em vários projetos, tanto de iniciação científica como de extensão (estes que impactam diretamente a sociedade): dei aula de informática para idosos, fiz pesquisa para analisar como os sites de museus estão adaptados para idosos e, por fim, fiz uma análise de acessibilidade da parte da ouvidoria dos sites governamentais estaduais seguindo os padrões do WCAG 2.0, que são os padrões desenvolvidos pelo W3C para acessibilidade web. Isso tudo tendo como meu orientador e mentor, o professor e pesquisador André Pimenta Freire, hoje uma das maiores referências e admirações que tenho na área.

Ter feito estes projetos me ajudou a expandir os conhecimentos em acessibilidade e ajudou a alinhar isso tudo à minha profissão, antes de front-end developer, hoje designer de produtos. Porém, não foi isso que me fez interessar por acessibilidade. O que me despertou o interesse por acessibilidade web foi ter por perto pessoas que precisavam dela e utilizei da empatia para entender quais são as suas reais necessidades e como eu poderia ajudá-las.

Empatia

Antes de entendermos o que podemos fazer para melhorar a acessibilidade na web, precisamos conhecer as pessoas que possuem algum tipo de restrição que a impede de utilizar alguma tecnologia ou produto. Para isso, precisamos falar de empatia.

Empatia é a ação de se colocar no lugar de outra pessoa, buscando agir ou pensar da forma como ela pensaria ou agiria nas mesmas circunstâncias. Aptidão para se identificar com o outro, sentindo o que ele sente, desejando o que ele deseja, aprendendo de maneira como ele aprende, etc.

A empatia é certamente um dos mais nobres sentimentos humanos. Para entender e ajudar o próximo é necessário se imaginar na condição dele. — Lázaro de Souza Gomes

O que é acessibilidade na web?

Segundo a própria W3C (World Wide Web Consortium), acessibilidade web é a “possibilidade e condição de alcancepercepção e entendimento para a utilização, em igualdade de oportunidades, com segurança e autonomia, do meio físico, do transporte, da informação, inclusive dos sistemas e tecnologias de informação e comunicação.”

A acessibilidade na web significa que pessoas com deficiência podem utilizar a web, certo? Errado. Ela vai muito além de usar a web: perceber, entender, navegar, interagir, e contribuir para a web também fazem parte da acessibilidade.

Pessoa com deficiência — o termo correto

No Brasil utilizamos o termo Pessoa com deficiência (PCD). Nada de dizer Pessoa com necessidades especiais ou portador de necessidades especiais. Quando estamos referindo à necessidades, todas as pessoas, com deficiência ou não, possuem. Nos Estados Unidos, o termo utilizado é People with Disabilities (Pessoa com deficiência), em U.K o termo utilizado é Disabled people (Deficiente).

A definição de Pessoa com deficiência é bem ampla, mas os pontos a seguir, elencados no livro Interaction Design: Beyond Human-Computer Interaction das autoras Jenny Preece, Yvonne Rogers e Helen M Sharp, mostra os principais pontos. Uma pessoa é considerada deficiente se:

  • tem uma deficiência mental ou física;
  • a deficiência tem um efeito adverso na sua capacidade de realizar atividades normais do dia-a-dia;
  • o efeito adverso é substancial e a longo prazo.

Acessibilidade na web e o panorama brasileiro e mundial

Leis para a Acessibilidade na web

A cantora Beyoncé (no caso, a sua empresa Parkwood Entertainment) já foi processada por seu site não ser acessível a pessoas cegas, violando a lei americana de acessibilidade. (Fonte: português / inglês).

O que a lei brasileira nos diz?

Lei Brasileira de inclusão do Estatuto da Pessoa com Deficiência teve como base a Convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e é “destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.”

“A deficiência deixa de ser um atributo da pessoa e passa a ser o resultado da falta de acessibilidade que a sociedade e o Estado dão às características de cada um. A LBI veio para mostrar que a deficiência está no meio, não nas pessoas.”

Aqui destaco dois artigos referentes ao acesso à informação, que estão contidos no capítulo II do referido documento.

Art. 63. É obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente.

Art. 64. A acessibilidade nos sítios da internet de que trata o art. 63 desta Lei deve ser observada para obtenção do financiamento de que trata o inciso III do art. 54 desta Lei.

Por que eu devo me preocupar?

Muitos poderiam pensar que devemos nos preocupar pois está na lei. Mas precisamos refletir isso e pensar qual o motivo de termos que nos preocupar. Será mesmo que devemos fazer software acessível pois existe uma lei? Eu penso e digo que não devemos aplicar a acessibilidade em nossos projetos pois a lei nos diz para fazer, e sim porque nos importamos!

É só para deficientes visuais? Não.

Muitos pensam que acessibilidade web é só para deficientes visuais ou para visão. Não basta apenas deixar tudo com legendas e fazer o teste de contraste. O primeiro mito que vamos quebrar aqui é esse.

Uma experiência ruim para uma pessoa sem deficiência é geralmente muito pior para uma com deficiência. — Nicholas Kramer

Deficiência motora, deficiência cognitiva, deficiência auditiva, daltonismo, idade e experiência, deficiência temporária, habilidades motoras, característica do ambiente, diversidade de dispositivos, tamanho e altura, e pouca fluência na linguagem, e muitos outros casos são aspectos que precisam ser levados em consideração.

Entender de perto a real necessidade das pessoas nos fazem refletir em como podemos ajudar essas pessoas. Cada caso é um caso e, com cada caso, a gente pode aprender muito!

Acessibilidade na web é para todas as pessoas!

Todos nós dependemos da acessibilidade. Você já reparou que, quando você está em um ambiente utilizando o celular e vai para um ambiente mais claro, o que acontece com o brilho do seu celular? Aumenta, certo?

Qual o horário que você mais assiste Netflix? Eu chutaria a noite e tenho quase certeza que essa é a sua resposta. Já reparou como é a interface do Spotify? Escura, e isso não é em vão.

Em 2014 o Spotify mudou significativamente sua interface de light para dark, seguindo os princípios de design: conteúdo primeiro, ser vivo, ser familiar, fazer menos, ser autêntico e “Lagom”, do Sueco, que significa o equilíbrio perfeito de não ser muito e não muito pouco. Mais detalhes no post “Inside the redesign, why Spotify went black”. e também no TED talk intitulado The complex relationship between data and design in UX da Rochelle King, VP Product Design & Insights do Spotify e, anteriormente, da Netflix.

Palestras

Durante os dois últimos anos, tive a oportunidade de palestrar sobre o assunto em vários eventos e, durante esse tempo todo, venho conhecendo muitas pessoas e o segredo está em compartilhar: a gente aprende muito com isso! Tem uma palestra minha disponível no site da InfoQ, realizada no DevDay BH.

Esse pode ser mais um texto e muito do que está escrito aqui você pode ter lido em outro lugar, resolvi começar a escrever pois precisamos falar mais sobre acessibilidade, precisamos chegar mais para os nossos líderes e falar que algo na empresa não está acessível, precisamos olhar para nós mesmos e vermos como nós podemos programar pensando em acessibilidade, precisar projetar uma interface pensando em acessibilidade. Uma tarefa nada fácil, mas não impossível!

Há pessoas que acompanho e que recomendo demais você seguir para aprender muito sobre acessibilidade web também: Bruno PulisNicholas KramermjcoffeeholickTalita PaganiReinaldo FerrazMarcelo Sales e Lucas J S! Obrigado Gabriel Grossi e Bruno Pulis pelo review! ❤


O Google está com VÁRIAS iniciativas em acessibilidade. Confira neste texto aqui no blog!

Obrigado pela leitura! Sugestões, feedbacks e colaborações são sempre bem-vindas! Se você tem algo para compartilhar sobre o assunto, escreva abaixo ou mande no Twitter @althi.

Até! 🙂

Postado por Thiago Marques